terça-feira, 10 de março de 2015

A moeda perdida... em casa

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Jesus continuou: — Se uma mulher que tem dez moedas de prata perder uma, vai procurá-la, não é? Ela acende uma lamparina, varre a casa e procura com muito cuidado até achá-la.  E, quando a encontra, convida as amigas e vizinhas e diz: “Alegrem-se comigo porque achei a minha moeda perdida.” - Lc 15:8-9

A parábola da moeda perdida faz parte das três parábolas contadas por Jesus como resposta à estranheza demonstrada pelos religiosos de sua época que não viam com bons olhos fatos de Jesus estar sempre cercado por aqueles que eram repudiados por eles. Jesus vivia cercado por “pecadores” (como se todos não o fossem) e pessoas de má fama. Não ordenava a lei que o justo não deveria se deter no caminho dos ímpios nem se sentar na roda dos escarnecedores? No entanto lá estava o Mestre no meio deles. Jesus conta suas três parábolas para mostrar que não estava ali para compactuar com as obras daquelas pessoas, e sim, porque veio buscar aquele que estava perdido.

Nestas parábolas Jesus mostra o sacrifício do Bom Pastor indo buscar a ovelha perdida, o trabalho do Espírito Santo iluminando o interior da casa para achar a moeda perdida e a alegria do Pai ao receber o filho de volta.

Analisemos mais de perto a segunda parábola que, além desta lição objetiva, nos ensina outras coisas.

A perda de algo de valor

Segundo alguns estudiosos, o valor desta moeda não era tanto monetário quanto sentimental. "As mulheres daquela época muitas vezes usavam acima das sobrancelhas uma tiara que era chamada semedi. Era feita de moedas que por si mesmas tinham muito pouco valor. Mas era uma moeda que tinha gravada a imagem da autoridade. A tiara significava noivado ou casamento. Sendo ou não monetariamente valiosa, estava acima de qualquer preço para a mulher que a usava. Isso é evidente pelo fato de que ela a procurou diligentemente, ao varrer a casa até encontrá-la" (Todas as Parábolas da Bíblia, Herbert Lockyer). Aprendemos aqui que existem coisas que são muito valiosas, que, se não tomarmos cuidado podem ser perdidas. E a parábola diz que estas coisas foram perdidas em casa, o que nos leva a entender que estas coisas valiosas estão (ou deveriam estar) perto de nós, dentro de nosso lar. E é ali também que elas podem se perder. O que sentimos falta na sociedade e que são alvos de protestos e marchas, em sua maioria são coisas que perdemos em casa, e é lá que devem ser resgatadas. Vejamos algumas delas:

Respeito – A falta de respeito na escola onde alunos agridem professores, coisa inimaginável a poucas décadas atrás, é um reflexo da falta de respeito no lar. É em casa que se vê filhos tratando os pais como se fossem seus colegas e não mais como autoridades (hoje em dia isso é tratado como medieval). É em casa que, para serem aceitos em seus grupos lá fora, os filhos se submetem a um “batismo de fogo” de desrespeito aos pais. Quanto mais desrespeito, mais são recebidos como “machos” por um bando de tolinhos que vibram com expressões de rebeldia, mas não entendem que, quando “o bicho pega” sãos os pais que seguram o rojão. Infelizmente, a dracma do respeito se perdeu em muitos lares.

Carinho – Carinho diz respeito a gestos com o poder do discurso. São pequenas manifestações onde, através de um abraço, um beijo, um elogio, um abrir de porta se está dizendo sem palavras o quanto amamos alguém. Vivemos numa época em que a dracma do carinho foi substituída por dinheiro, presentes e facilidades.

Espiritualidade – Esta dracma se perdeu e no lugar dela é introduzida nos lares a moeda falsa da religiosidade. Deus é compartimentalizado a algumas horas de culto aos domingos. Ali, por alguns momentos, segue-se o protocolo de um bom cristão. Acabou o culto, no carro mesmo, todos voltam “ao normal”. Cadê a dracma do culto familiar? Cadê a dracma da consciência de que os olhos de Deus estão em toda a terra? Cadê a dracma da família reunida para comer o cordeiro pascal em oração e leitura da Bíblia? Talvez ela esteja perdida atrás de coisas que se tornaram ídolos do lar: televisão, facebook, etc.

Encontrando a moeda perdida

Se a mulher da parábola encontrou a dracma, Jesus mostra-nos que podemos achar o que se perdeu. Vejamos o que a parábola ensina-nos sobre isso:

A tarefa é minha – É comum jogar para outros a tarefa de achar o que nós perdemos. A mulher da parábola, não chamou o CSI para achar a moeda (rs). Às vezes queremos que o pastor, o professor ou a polícia achem o respeito que nós perdemos. Porém, somos nós quem devemos nos colocar como instrumentos nas mão de Deus para achar o que se perdeu. A tarefa é minha, com a ajuda de Deus.
De olho nos pequenos detalhes – A mulher que tinha dez moedas, não agiu com a que se perdeu como se ela fosse nada comparada com as nove que não se perderam. Ela sabia que por um pequeno vazamento a caixa d’agua pode ficar vazia. É tempo de se concertar os vazamentos e dar atenção aos pequenos detalhes por onde a felicidade de um lar tem se esvaído. Gentilezas, lembranças de aniversários, um esforço para não jogar a toalha molhada na cama, são bons começos.

O comum não é natural – Olhar para a casa ao lado e ver que essas coisas acontecem com todo mundo, é nivelar-se por baixo. Só porque todo mundo “deixa pra lá” quando perde sua moedinha, não quer dizer que devo aceitar isso como natural. A mulher se levantou e foi correr atrás do prejuízo.

evantando poeira – A mulher teve que varrer a casa para encontrar a moeda. Às vezes para se concertar uma situação e encontrarmos o que se perdeu é preciso mexer com coisas que vão fazer poeiras assentadas a muito tempo, jogadas para debaixo do tapete, se levantarem. Tem coisas que parece que é melhor nem mexer. Mas, a pergunta é, queremos ou não encontrar a moeda? Se queremos, é preciso varrer a casa.

Dá trabalho – O texto diz que a mulher procurou “até encontrá-la”. Isso mostra que, não adianta imaginarmos que em um dia vamos achar coisas que levamos anos para perder. Dá trabalho e é preciso perseverança.

Haja luz – Nem Deus gosta de trabalhar no escuro e, por isso, a primeira coisa que Ele disse na criação foi “haja luz”. Luz fala de duas coisas. Primeiro fala de recebermos clareza sobre algo, olharmos para o problema e enxergá-lo. Ninguém resolve nenhum problema ignorando-o, deixando nas trevas onde não se pode vê-lo. Deixemos Deus ascender sua luz sobre nossa situação a fim de que enxerguemos onde foi que erramos. Segundo, luz fala de amor : “Quem ama o seu irmão vive na luz, e não há nessa pessoa nada que leve alguém a pecar.  Mas quem odeia o seu irmão está na escuridão, anda nela e não sabe para onde está indo, porque a escuridão não deixa que essa pessoa enxergue” (1 Jo 2:10-11). É o amor de Deus, derramado em nossos corações quem vai mostrar-nos onde está nossa preciosa moedinha perdida.

O Resultado

Esta pequena estória, que começou com uma mulher ansiosa por ter perdido algo que lhe era tão caro, termina com uma casa em festa. A mulher chama suas amigas e diz: “alegrai-vos comigo”. Isso é o resultado de se sair do comodismo e ir atrás do que se perdeu. Esta é a alegria da sensação de missão cumprida. Ela é o oposto daquilo que tem feito muitos buscarem as clinicas e saírem de lá com a receita de algum antidepressivo.

Só sentiremos esta alegria quando nos levantarmos e colocarmos mãos-a-obra.

Vale a pena. Sempre vale.

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Pr Edmilson

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